terça-feira, 22 de março de 2016

Os desafios da educação pública no Brasil

1. Falta de remuneração e estímulo dos professores
Virou de praxe professores reclamarem de salário bem como fazerem greve. Existem dicotomias salariais ridículas. Um vereador, por exemplo, tem de comparecer a uma reunião semanalmente e recebe mais no final do mês que professores que trabalharam a semana inteira.
Tive professores negligentes. Claramente desestimulados. Havia várias que passavam a maior parte da aula conversando sobre assuntos alheios às matérias, sem contar a que passava maior parte da aula "no banheiro".

2. Precariedade nos materiais
No primeiro ano do meu ensino médio (não tem mais de 5 anos) minha turma não tinha livros. Os livros não eram suficientes para todos os alunos, então não eram distribuídos. Seria fácil propor solucionar o problema fazendo apostilas, mas nem todos tinham condições de pagar nem material xerocado. Enquanto isso, no ensino privado, apostilas eram utilizadas e era ganho tempo, pois os alunos não tinham de perder aulas copiando parágrafos de matérias lidos em minutos.
Além disso, nem todas as salas contam com projetor. Matérias e apresentações de trabalhos eram atrasados muitas vezes devido a isto. Há pouco contava com uma professora que trabalhava com retroprojetor na transparência, essa geringonça aqui.

3. Falta de nivelamento entre os alunos
Nem todos os alunos têm as mesma condições. Coexistem alunos que teriam condições de pagar ensino privado mas estão no público para conseguir sistemas de cotas bem como há aqueles que vão para escola apenas para comer o lanche, pois não possuem comida em casa. E isto não é uma realidade distante.
Imagine uma tarefa que exija uma pesquisa a ser realizada na internet. Como nem todos sequer têm computador em casa -nem os livros-, um professor tem de reservar uma aula no laboratório de informática para que todos tenham as mesmas condições de fazer a tal pesquisa. Tarefa que demandaria uns 15 minutos caso tivessem condições básicas.
Outro empecilho é a dicotomia no interesse. Muitos alunos têm de trabalhar e não recebem incentivo dos pais. Fiquei um trimestre inteiro aprendendo a formula da Velocidade Média básica (V= /\S / /\t ). O professor não podia deixar metade dos alunos de recuperação, então repetia o mesmo conteúdo até que todos compreendessem. As notas eram dois extremos: 8 ; 10 e 0 ; 2. Os que conseguiam notas acima da média estudavam minimamente. Os com notas inferiores não tinham interesse nenhuma em estudar.

4. Horários não são flexíveis e serviços prestados à comunidade são limitados
Organizar um grupo de estudos na biblioteca em horário fora da aula é algo utópico. Primeiro que não adiantaria muita coisa, pois o acervo da biblioteca é escasso. Segundo que os coordenadores veriam isto como algo que poderia ocasionar caos, ou um trabalho a mais.


5. Negligência   
Como há alguns professores negligentes e acomodados, por vezes não atendem a demanda dos alunos.
Muitos docentes são efetivos desde a época que concluíram o "magistério". Assim sendo, não se preocupam em se atualizar nas matérias nem em serem bons profissionais, afinal, ninguém os tira do exercício da profissão. São "ensinadas" matérias e dadas respostas vagas e insuficientes aos alunos.
Ou ainda os que têm mestrado não têm pedagogia para ensinar a nível em ensino fundamental e médio, com métodos que os alunos não são capazes de acompanhar.

6. Burocracia
As verbas são má distribuídas e insuficientes. Imagine que seja concedida uma verba para que as escolas consertem as janelas. Caso as janelas estejam em perfeito estado, a verba não pode ser remanejada para o reparo de paredes que quebraram os azulejos, e a verba tem de ser devolvida, por exemplo. Sem contar o dinheiro que é subornado e desviado com a corrupção que existe,
Certa vez fizemos uma viajem pelo programa "Viaja ES Jovem" para uma cidade a 80 km da nossa. Foi concedido ônibus, mochilas, cadernos, crachás e outras coisas do gênero. Não questiono, a educação carece de programas como estes, mas fiquei imaginando quanto dinheiro não foi desviado na compra daquelas mochilas e cadernos que nunca foram usados pela maioria dos alunos.


7. Maior probabilidade de índices de criminalidade e disseminação de drogas
Como não tem de ser pago nada, nem há rigorosa cobrança quanto às disciplinas e cumprimento de tarefas, é fácil existir alguém que sirva como "aviãozinho" dentro das escolas. Muitos professores ficam vítimas desses alunos por medo de possíveis ameaças ou do que podem fazer. Casos como estes são recorrentes, principalmente à noite.



         Estes são alguns poucos desafios na educação pública que vão muito além do âmbito escolar. Engloba família, sociedades, governos, indivíduos, estratégias políticas, gestão publica, bem como a maneira que a renda é divida no país.

         Sonho com uma educação mais justa e igualitária que é capaz de mudar sociedades, governos, indivíduos, estratégias políticas, gestão publica, bem como a maneira que a renda é divida no país.

  Trata-se de um ciclo. Precário e deficiente.
                                                                                       

                                                               
                                                                                                                         Namaskar.

terça-feira, 8 de março de 2016

Falta de mobilidade urbana


O caos da selva de pedra


Os pedestres andam à beira da rua
que não tem calçada.
os ciclistas andam na meio da rua
que não tem calçada.
os carros reclamam dos ciclistas 
que reclamam dos pedestres 
que reclamam que não tem calçada.


As casas não têm garagem.
Os carros estacionam na rua.
Os pedestres andam na rua 
que não tem calçada,
mas que tem carros - estacionados.
Os ciclistas andam na rua 
que tem pedestres,
mas que não tem calçada,
e tem carros - estacionados.

Os carros reclamam dos carros - estacionados,
que reclamam dos motociclistas,
que reclamam dos ciclistas,
que reclamam dos pedestres,
que reclamam que não tem calçada,
nem garagem
mas tem carros - estacionados,


As autoridades passam de carro.
As autoridades reclamam dos motociclistas,
que reclamam dos ciclistas,
que reclamam dos pedestres,
que reclamam que não têm calçada,
que não foram feitas pelas autoridades 
que compraram carros.

                               Milli, B.C.


                                        
            
                                                                          Namaskar.


              

quarta-feira, 2 de março de 2016

Perceba as formigas do mundo

Na última sexta-feira saí com meus amigos e tivemos uma mudança em nosso roteiro.
Tínhamos marcado de nos encontrar numa praça pra sair pra comer. Enquanto caminhávamos rumo a comida, famintos, meu amigo com uma alma ímpar de criança parou e abaixou para olhar a arte de um senhor, exposta no chão sobre um tecido.
Fiquei aguardando, pensando na comida, e o senhor me abordou dizendo que: "você é uma garota de muita sorte por estar acompanhada por estes rapazes. sabe por quê? porque eles demonstraram ter uma coisa que poucas pessoas têm. Curiosidade como crianças." E não é que ele tinha razão?!
Descreverei este senhor: Magro; maltrapilho; com 2 dentes visíveis; 63 anos - aparentando ter mais; mãos sujas, encardidas, assim como os pés, mas com uma alma e um valor imensurável!
Por vezes corria na praia e observava este senhor, assim como vários outros hippies, sentados vendendo sua arte.O que não esperava, era que ele não era como os vários outros.
Acabamos estendendo conversa, a qual durou cerca de uma hora e meia, ali na praça mesmo. Não pude acreditar que tínhamos ficado esse tempo todo em plena sexta feira conversando com um pseudohippie, e o pior: ainda sem termos comido! Mas foi o melhor programa que poderíamos ter feito.
Esse senhor, de nacionalidade Uruguaia, chama-se Ícaro Lemos. Formou-se em filosofia e tem mestrado na área. Morou na china por 11 anos, e obviamente, fala chinês. O que eu me perguntava era, como alguém tão estudado foi para numa situação daquela? sem residência, sujo, vagando por países e estados, dormindo sob a marquise do MASP e em outros lugares públicos.
Perguntei, obviamente, como ele foi para na China e no meu estado. Segundo ele,
Vínculo causa afeto, e afeto, sofrimento. E assim derramei minhas primeiras lágrimas naquela noite, ali, na praça, numa sexta-feira. Sentia uma sintonia muito agradável ao conversar com ele.
Ícaro relatou também que, as pessoas não costumam olhar nos olhos dele pra conversar, e o olham estranho quando entra em algum estabelecimento para comer, mesmo que tenha dinheiro. Consequência disso, ele se alimenta mal.
Também julgou o sistema capitalista. Estávamos numa praça onde havia feira de artesãos, e ele disse que tudo ali era fruto do capitalismo, mas a arte dele provocava o que a arte em si deve trazer: a reflexão.
E conversar com ele me fez refletir assim como refutar minha concepção de que o que importa são as coisas simples. Esse cara era muito sábio. Tinha conhecimento do mais alto nível sobre as áreas da graduação; sobre política; conceitos de física quântica e até sobre sinapses nervosas.
Construí um sentimento de alteridade ímpar por ele.

Sua arte era arame retorcido formando esculturas. Meus amigos e eu compramos quatro formiguinhas que ele vendia (uma pra cada um) - e claro que sem valor estabelecido por ele. Bom, por que formiga? você já ganhou uma formiga? acredito que ninguém tenha ganho, por isso faz a escultura tão especial.
Formigas são dotadas da capacidade de se instalarem sob a terra, trabalham em equipe, são organizadas, dividem funções e compartilham o mesmo ambientes e as mesmas dificuldades.
Guardo a minha com carinho, e lembro com alteridade de meus amigos e do Ícaro.

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Depois de termos comido um churrasquinho - pois já não havia tempo de comer outra coisa aquele horário - reencontramos com ele e demos um bombom. O sorriso daquele homem me fez tão feliz que compreendi o verdadeiro valor das coisas sensíveis,

Quantas pessoas já passaram por você e você sequer olhou nos olhos ou percebeu a presença?

Valorize todos à sua volta e seja uma formiga na vida de alguém.


                                                                                           Namaskar.



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Dengue, Zika, Chikungunya – por que o Brasil não consegue acabar com o Aedes Aegypti?

Peste bubônica, malária, lepra. Historicamente estas foram doenças transmitidas por vetores que fugiram do controle do homem. O mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, da febre chikungunya e da zika, portou-se da mesma maneira e, no Brasil, trava uma luta há décadas. Em pleno século XXI, os brasileiros ainda tentam combater este vetor que ocasiona , problemas de cunho social, econômico e ambiental.

A transmissão das doenças pelo aedes tornou-se um problema de calamidade pública. A dengue, a febre chikungunya e a zika levam várias pessoas a hospitais, os quais têm mais gastos com estes pacientes. Além disso, há suspeita do zika vírus ser responsável pela microcefalia nos fetos de gestantes. Neste caso, os governos têm de investir em tratamentos e manutenções especiais durante a vida das crianças deficientes. Em contrapartida a ignorância da população para com as vistorias do agentes sanitários assim como descasos com lotes e terrenos baldios mostram que os brasileiros deixam a desejar no que tange colaboração na luta contra o mosquito.

Outro entrave é a dificuldade na erradicação do mosquito. O Brasil mostrou-se ineficaz na lutra contra o inseto, uma vez que ele está presente há décadas no território nacional. A favelização, a falta de saneamento básico assim como o lixo em locais indevidos são as justificativas para tal ineficiência. Regiões íngremes, de difícil acesso e má condições de moradias são lugares apropriados para proliferação do mosquito. O esgoto a céu aberto e entulhos colaboram da mesma maneira. Isto demonstra que as doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti enquadra-se claramente como negligenciadas, visto que ocorrem e tem origem em países em desenvolvimento.

Vê-se, portanto, a necessidade de atuação conjunta entre governos e população. Os governos municipais devem criar cooperativas que gerenciem e reciclem o próprio lixo e instalações de saneamento básico, com monitoramento de órgãos estaduais, como a secretaria da saúde. A população têm de estar ciente da importância em receber os agentes sanitários por meio de anúncios televisivos e jornalísticos. A longo prazo, tem de haver investimentos federais e de iniciativas privadas e filantrópicas em pesquisas para doenças negligenciadas, sobretudo em regiões do continente africano - visto que as endemias do Brasil tiveram origem lá. Desta maneira, com população e Estado unidos, o brasileiro está apto a erradicar mais um vetor de modo que este fique apenas na história.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Existe uma linha tênue entre o SIMPLES e o INCRÍVEL





                    

Nada mais incrível como 

um feijão com arroz 
uma camiseta e short
um moletom e meia
um pão com manteiga
um abraço melífluo
um café com leite


                                                           Namastê.

Mudar é preciso


        

Mude,
As roupas
Os móveis
As fragrâncias
As piadas
A rotina
Os objetivos

Mas mantenha o foco e a essência.


                                                                                                        Namastê.

Agricultura no Brasil: da familiar à agroexportação

Desde a colonização do Brasil a presença do plantation foi algo marcante. Inciou-se com a cana de açúcar, passou pelo algodão e prevaleceu até o século XX com o café. Resquícios dessa herança permanecem até hoje com a má distribuição de terras direcionadas à agricultura familiar e à agroexportação, a qual ocasiona problemas no âmbito social e econômico, os quais precisam ser combatidos
Vale salientar que a agricultura familiar e a agro exportação são complementares para uma sociedade próspera. O que abastece o mercado interno é a agricultura familiar, em contrapartida, terras concentradas na posse de latifundiários, faltas de incentivos fiscais, de tecnologia para enfrentar as intempéries climáticas e diversos atravessadores são pontos que desestimulam o pequeno e médio produtor e encarecem os produtos. Prova disso é a inflação anual sobre algum produto, como ocorreu com o abacate e o tomate.
A exportação de commodities, por sua vez, fornece o equilíbrio da balança comercial. Entretanto, a superlotação de celeiros, dificuldade para escoamento de grãos, falta de eficiência logística 
nas rodovias e nos  portos são problemas que a indústria de agroexportação enfrenta, visto que anualmente há quilômetros de filas de caminhões carregados de grãos nos portos de Santos e de Paranaguá.
Vê-se, portanto, a necessidade da atuação de Governos e instituições privadas. Ao Governo Federal compete manter investimentos fiscais em projetos como o PRONAF (Programa Nacional da Agricultura Familiar) e na CONAB (Compania Nacional de Abastecimento); É válido também conceder subsídios à empresas de adubos e fertilizantes, para beneficiar o pequeno produtor. Os Governos Estaduais têm de dar manutenção às empresas agroexportadoras de maneira intensiva, de modo que ocupe menos extensão de terra distribuindo-a, assim como investir em um sistema de escoamento integrado, com ferrovias de carga que leve as mercadorias até os portos. Desta maneira, é possível conciliar os modelos produtivos e ter uma nação econômica e sadiamente estável.